Patronos

Carlos de Campos Sobrinho
Cadeira 15
Foi um grande profissional mineiro, destacado personagem dos esportes aquáticos, quer como nadador, quer como técnico dos melhores nadadores do Brasil, bem como pessoa e profissional de ilibado comportamento.
Quando ele começou sua carreira como nadador, São Paulo estava muito longe de ter a sua primeira piscina e muito menos uma Federação específica para os esportes aquáticos. Eles eram subordinados à Federação Paulista das Sociedades de Remo, cuja sede ficava na cidade de Santos.
Os primeiros nadadores competiam no mar e seguiam os padrões dos eventos náuticos. Carlito, como era mais conhecido, foi o primeiro campeão paulista de natação em 1918, época em que o tiro de partida das competições era dado por um tiro de canhão, instrumento típico das competições de remo.
Os certames de natação chegaram ao Rio Tietê e eram disputados em cochos, isto é, escavações nas margens daquele fluxo d’água. Pontões de madeira demarcavam as margens daquele natatório precoce.
Carlito foi campeão paulista, nadando pela Associação Atlética São Paulo, nos anos de 1923, 1924, 1925 e 1926.
Em 1924 foi instituída a Travessia de São Paulo a Nado no Rio Tietê. Essa prova tinha 5.500 metros de extensão e os participantes vinham serpenteando entre a Ponte da Vila Maria e o Clube Esperia, na Ponte Grande. Carlito venceu as duas primeiras travessias, que chegaram a reunir 1620 concorrentes em 1939. Esta prova foi realizada até 1944. João Havelange venceu a de 1943, quando adquiriu tifo negro. No entanto, a poluição terminou com aquela tradição.
Nestas vitórias, Carlito tinha a companhia de Maria e Sieglinda Lenk, também defensoras da Associação Atlética São Paulo, com as quais estabeleceram uma amizade que perdurou por mais de duas décadas.
A partir de 1929, a natação passou por um grande progresso, que avançou para a década dos anos trinta. No mês de dezembro de 1929, a Associação Atlética São Paulo inaugurou a primeira piscina de São Paulo e Carlito foi indicado para ser o primeiro técnico de natação. Nos cinco anos seguintes, o Esperia, o Germania e o Tietê também construíram as suas piscinas, sendo que estes dois últimos construíram piscinas olímpicas.
Neste mesmo período, a natação livrou-se do jugo do remo. A Federação Paulista de Natação passou a ter autonomia. A assembleia da libertação ocorreu no edifício de A Gazeta Esportiva, quando este veículo ainda funcionava na Rua Líbero Badaró.
O Clube de Regatas Tietê contratou Carlos de Campos Sobrinho para a sua equipe e foi reconhecendo a capacidade desse técnico que hoje dá o seu nome às comendas que são entregues. Maria e Sieglinda Lenk não quiseram perder seu técnico e foram juntas com ele para o Tietê. Foi quando Maria Lenk chegou a bater um recorde mundial e participou dos Jogos Olímpicos de Berlim.
Nos anos quarenta, foi em Minas Gerais que Carlos de Campos Sobrinho desenvolveu um expressivo trabalho. A sua capacidade fez com que os mineiros assumissem a liderança nacional da natação infanto-juvenil. Principalmente o Minas Tênis Clube passou a ser uma potência da modalidade.
No início dos anos 50, a Universidade de Juiz de Fora convidou Carlos de Campos Sobrinho para ser um de seus mestres. Foi a ocasião em que chegava ao Brasil o Panathletismo e, com isso, ele fundou o Panathlon Club de Juiz de Fora.
O Panathlon Club de Juíz de Fora o homenageou, nomeando a “Comenda Professor Carlos de Campos Sobrinho”, a qual é entregue a cada cinco anos e foi criada para homenagear àqueles que contribuíram com o esporte de maneira inquestionável, representando e divulgando o nome da cidade de Juiz em nível nacional e internacional.